De Leonardo Padura, um primoroso escritor cubano, o livro relata o assassinato de Trotsky.
Apesar do autor deixar bem claro que é um romance, uma ficção, muitos dos fatos são históricos, como o principal tema: o exílio e a mando de Stalin para matar o seu arquirrival pelo poder da antiga União Soviética, Leon Trotsky.
Cercado pelo terror que antecede a segunda guerra mundial, emerge na Espanha, um comunista , Ramón Mercader, disposto a dar sua vida pelo ideal marxista, assim, ele é recrutado pela inteligência stalinista, e treinado para uma missão especial e secreta, matar o líder bolchevique. Do outro lado, o livro relata o cansativo exílio de Trotsky, primeiro refugiando na Suíça, depois uma breve e anti semita estada na Noruega e, finalmente o México. Lá, morando numa verdadeira fortaleza, Liev passa dolorosos anos, vendo seus aliados e familiares serem assassinados, um a um. Cético e débil fisicamente, Liev entende que o mundo virará as costas para ele e ao seu ideal de vida.
De uma forma primorosa e poética, Padura prende o leitor pela trama, pela história, e pelas questões sócio- políticas. Neste contexto, Padura introduz uma terceira estória, a sua, de escritor cubano que recebe, "de bandeja", quinhentas páginas escritas por um desconhecido, contando como foi planejado e executado o assassinato do segundo homem da extinta União Soviética.
O escritor cubano, crítico do regime, nos angustia com todas suas dúvidas e desilusões. Apesar de ser bem longo, gostei muito.
o prazer do ler
Sunday, March 29, 2015
Sunday, February 22, 2015
O mapa e o território
Neste romance o desenrolar acontece nos dias de hoje, e o protagonista é um fotógrafo / pintor moderno em Paris. A trama, se assim pode se dizer, é uma mistura de suspense policial, relato de vida de um artista melancólico, e com extremo realismo, o mundo artístico parisiense.
Jed Martin, um jovem, beirando os quarenta anos, é filho de um rico arquiteto francês, que se aproveitou da demanda de resorts que ocorreu nos anos 70 e 80 na Europa, para acumular seus milhões de euros. Sem ter tido quase contato com a falecida mãe suicida, Jed se afasta também do pai, tentando se manter como um simples fotógrafo. Por sorte, conhece uma belíssima executiva russa que leva sua arte fotográfica, nada menos, que para o guia Michelin. Assim, aos poucos vai se infiltrando no meio das artes plásticas de Paris, e com um singular talento fica milionário.
A estória relata uma vida praticamente sem mulheres, família, com pouquíssimas emoções vivida pelo "pobre" pintor. Apesar de contar com um marasmo do dia dia, Michel Houellebecq ( autor do livro) nos apresenta uma leitura muito prazeirosa, com surpresas; sua aparição, deixando uma dúvida se o Jed faz parte de Houellebecq, ou se é o oposto. Algumas frases são verdadeiros poema, outros uma linda poesia.
Alguns detalhes atuais, por exemplo os tipos de lentes usadas, ou softwares, podem dificultar a leitores não familiarizados, porém, com o passar das páginas este detalhe se torna irrelevante. Em certos trechos do livro é necessário uma atenção redobrada tamanha dificuldade das palavras, embora, da mesma maneira que a parte técnica, não há necessidade de um dicionário ao lado.
A morte está sempre rondando as páginas, perturbando o leitor. Acredito que Hoeullebecq usa deste artifício no intuito de provocar a sociedade que não aceita como solução a certos indivíduos.
Jed Martin, um jovem, beirando os quarenta anos, é filho de um rico arquiteto francês, que se aproveitou da demanda de resorts que ocorreu nos anos 70 e 80 na Europa, para acumular seus milhões de euros. Sem ter tido quase contato com a falecida mãe suicida, Jed se afasta também do pai, tentando se manter como um simples fotógrafo. Por sorte, conhece uma belíssima executiva russa que leva sua arte fotográfica, nada menos, que para o guia Michelin. Assim, aos poucos vai se infiltrando no meio das artes plásticas de Paris, e com um singular talento fica milionário.
A estória relata uma vida praticamente sem mulheres, família, com pouquíssimas emoções vivida pelo "pobre" pintor. Apesar de contar com um marasmo do dia dia, Michel Houellebecq ( autor do livro) nos apresenta uma leitura muito prazeirosa, com surpresas; sua aparição, deixando uma dúvida se o Jed faz parte de Houellebecq, ou se é o oposto. Algumas frases são verdadeiros poema, outros uma linda poesia.
Alguns detalhes atuais, por exemplo os tipos de lentes usadas, ou softwares, podem dificultar a leitores não familiarizados, porém, com o passar das páginas este detalhe se torna irrelevante. Em certos trechos do livro é necessário uma atenção redobrada tamanha dificuldade das palavras, embora, da mesma maneira que a parte técnica, não há necessidade de um dicionário ao lado.
A morte está sempre rondando as páginas, perturbando o leitor. Acredito que Hoeullebecq usa deste artifício no intuito de provocar a sociedade que não aceita como solução a certos indivíduos.
Friday, February 6, 2015
JUDAS
Do renomado romancista Amós Oz, Judas vem para criar uma nova visão do assassinato de Cristo pelos romanos.
Uma visão diferente do suposto traidor - Judas Iscariotes- o qual é visto pelo protagonista deste romance, Shmuel Asch, um admirador sem precedentes de seu mestre Jesus.
Shmuel abandona a faculdade em Haifa por problemas financeiros de sua família, e acaba indo parar numa casa de um velho aleijado em Jerusalém. Lá ele presta serviços ao manco em troca de casa, comida e alguns trocados. Debaixo do mesmo teto mora a ex nora do velho - Guershon Wald- Atalia, uma bela israelense nos seus quarenta anos.
Juntos, vivem alguns meses de ternura, discussões e paciência, num cenário mórbido em torno do falecido e polêmico dono da casa.
Shmuel, um rapaz jovem, que foi impedido de ir ao exército por ter uma doença congênita, atrai a atenção do sogro e nora pelo seu jeito sincero de ver o mundo e, por sua intrigante pesquisa: saber exatamente o que aconteceu nos dias que antecederam a crucificação de Cristo.
Ao fundo existe uma Jerusalém gelada pelo inverno. Um país recém nascido, beirando os doze anos, ainda formando grandes dúvidas sobre sua futura existência e também a necessidade de se ter uma nação judaica no oriente médio cercada por inimigos.
Oz consegue, com seu jeito fácil de escrever, atrair o leitor amante de uma boa estória de amor, como, um interessado por história e suas polêmicas distorções. Nada é por acaso neste belo discurso sobre a humanidade que o autor nos revela. Sempre muito ponderado, Amós Oz consegue passar para nosso interior dúvidas nunca questionadas.
Friday, January 30, 2015
O ENIGMA DE ESPINOSA- De Irvin D. Yalom
O livro relata uma aventura atemporal, onde o autor conta a história do revolucionário filósofo judeu Bento Espinosa e um dos criadores do anti semitismo nazista Alfred Rosenberg.
Enquanto Espinosa luta contra seus correligionários, por ser apontado de herege, Rosenberg consegue por acaso entrar no "hall" da mais alta cúpula nazista.
Espinosa, com sua visão romântica e racional do mundo, incluindo as religiões, vive cercado de livros e idéias, tentando mostrar a Europa do século XVII que a religiosidade nada mais é que um acúmulo de superstições e medos. Esta maneira racional de enxergar o lado espiritual de rituais das religiões encantou Rosenberg, criando um dilema pelo fato de admirar um pensador judeu.
A trama é muito bem traçada, levando o leitor a uma confusão no tempo, como se ambos estivessem vivendo nos mesmos dias. Yalom segue a risca o trabalho de historiador, dando umas pitadas de psicanalista ao introduzir um amigo e psiquiatra na vida de Rosenberg. Este, apesar de não ser judeu, se espanta com a envergadura racista que o prussiano antigo detém em relação aos semitas de Moisés. Tenta desfazer as idéias de seu paciente, mas seus esforços são em vão.
O interessante é que ambos são desprezados pelas pessoas que são importantes para eles, o pensador por ser muito bom e, o outro pela sua estupidez.
Gostei muito, me trouxe informações do início do nazismo que não conhecia, como tampouco a história bonita de vida deste judeu tão descriminado.
O livro relata uma aventura atemporal, onde o autor conta a história do revolucionário filósofo judeu Bento Espinosa e um dos criadores do anti semitismo nazista Alfred Rosenberg.
Enquanto Espinosa luta contra seus correligionários, por ser apontado de herege, Rosenberg consegue por acaso entrar no "hall" da mais alta cúpula nazista.
Espinosa, com sua visão romântica e racional do mundo, incluindo as religiões, vive cercado de livros e idéias, tentando mostrar a Europa do século XVII que a religiosidade nada mais é que um acúmulo de superstições e medos. Esta maneira racional de enxergar o lado espiritual de rituais das religiões encantou Rosenberg, criando um dilema pelo fato de admirar um pensador judeu.
A trama é muito bem traçada, levando o leitor a uma confusão no tempo, como se ambos estivessem vivendo nos mesmos dias. Yalom segue a risca o trabalho de historiador, dando umas pitadas de psicanalista ao introduzir um amigo e psiquiatra na vida de Rosenberg. Este, apesar de não ser judeu, se espanta com a envergadura racista que o prussiano antigo detém em relação aos semitas de Moisés. Tenta desfazer as idéias de seu paciente, mas seus esforços são em vão.
O interessante é que ambos são desprezados pelas pessoas que são importantes para eles, o pensador por ser muito bom e, o outro pela sua estupidez.
Gostei muito, me trouxe informações do início do nazismo que não conhecia, como tampouco a história bonita de vida deste judeu tão descriminado.
Sunday, January 25, 2015
O Filho do Hamas
De Mosab Hssan Yousef e escrito por Ron Brackin, este livro relata a história vivida pelo filho de um dos criadores do grupo radical islâmico Hamas.
Numa auto biografia, Yousef percorre seus anos de espião para o serviço secreto israelense Shin Bet.
O livro além de ser bem informativo na questão da história de guerra entre palestinos e israelenses, se enriquece com o dilema que o rapaz enfrenta, primeiro com relação a trair o seu povo e família e, depois de largar uma linhagem de islamitas para se converter ao cristianismo.
Yousef acreditou que servir ao Estado de Israel traria uma paz aos palestinos. Seus conflitos humanitários destoam bastante da região onde morava, já que lá pouco de humano se passava.
O leitor vai ter durante todo o livro uma grande curiosidade com relação aos próximos passos, fazendo que não deixe o livro longe de seu alcance.
Gostei a título de informação, mas deixa a desejar com relação às questões internas vividas pelo protagonista. Acredito que o autor poderia ter explorado mais.
Não é uma leitura fundamental, mas para quem gosta, de história e de conflitos no oriente médio, eu recomendo.
Numa auto biografia, Yousef percorre seus anos de espião para o serviço secreto israelense Shin Bet.
O livro além de ser bem informativo na questão da história de guerra entre palestinos e israelenses, se enriquece com o dilema que o rapaz enfrenta, primeiro com relação a trair o seu povo e família e, depois de largar uma linhagem de islamitas para se converter ao cristianismo.
Yousef acreditou que servir ao Estado de Israel traria uma paz aos palestinos. Seus conflitos humanitários destoam bastante da região onde morava, já que lá pouco de humano se passava.
O leitor vai ter durante todo o livro uma grande curiosidade com relação aos próximos passos, fazendo que não deixe o livro longe de seu alcance.
Gostei a título de informação, mas deixa a desejar com relação às questões internas vividas pelo protagonista. Acredito que o autor poderia ter explorado mais.
Não é uma leitura fundamental, mas para quem gosta, de história e de conflitos no oriente médio, eu recomendo.
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