Sunday, February 22, 2015

O mapa e o território

Neste romance o desenrolar acontece nos dias de hoje, e o protagonista é um fotógrafo / pintor moderno em Paris. A trama, se assim pode se dizer, é uma mistura de suspense policial, relato de vida de um artista melancólico, e com extremo realismo, o mundo artístico parisiense.

Jed Martin, um jovem, beirando os quarenta anos, é filho de um rico arquiteto francês, que se aproveitou da demanda de resorts que ocorreu nos anos 70 e 80 na Europa, para acumular seus milhões de euros. Sem ter tido quase contato com a  falecida mãe suicida, Jed se afasta também do pai, tentando se manter como um simples fotógrafo. Por sorte, conhece uma belíssima executiva russa que leva sua arte fotográfica, nada menos, que para o guia Michelin. Assim, aos poucos vai se infiltrando no meio das artes plásticas de Paris, e com um singular talento fica milionário.

A estória relata uma vida praticamente sem mulheres, família, com pouquíssimas emoções vivida pelo "pobre" pintor. Apesar de contar com um marasmo do dia dia,  Michel Houellebecq ( autor do livro) nos apresenta uma leitura muito prazeirosa, com surpresas; sua aparição, deixando uma dúvida se o Jed faz parte de Houellebecq, ou se é o oposto. Algumas frases são verdadeiros poema, outros uma linda poesia.

Alguns detalhes atuais, por exemplo os tipos de lentes usadas, ou softwares, podem dificultar a leitores não familiarizados, porém, com o passar das páginas este detalhe se torna irrelevante. Em certos trechos do livro é necessário uma atenção redobrada tamanha dificuldade das palavras, embora, da mesma maneira que a parte técnica, não há necessidade de um dicionário ao lado.

A morte está sempre rondando as páginas, perturbando o leitor.  Acredito que Hoeullebecq usa deste artifício no intuito de provocar a sociedade que não aceita como solução a certos indivíduos.


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