Neste romance o desenrolar acontece nos dias de hoje, e o protagonista é um fotógrafo / pintor moderno em Paris. A trama, se assim pode se dizer, é uma mistura de suspense policial, relato de vida de um artista melancólico, e com extremo realismo, o mundo artístico parisiense.
Jed Martin, um jovem, beirando os quarenta anos, é filho de um rico arquiteto francês, que se aproveitou da demanda de resorts que ocorreu nos anos 70 e 80 na Europa, para acumular seus milhões de euros. Sem ter tido quase contato com a falecida mãe suicida, Jed se afasta também do pai, tentando se manter como um simples fotógrafo. Por sorte, conhece uma belíssima executiva russa que leva sua arte fotográfica, nada menos, que para o guia Michelin. Assim, aos poucos vai se infiltrando no meio das artes plásticas de Paris, e com um singular talento fica milionário.
A estória relata uma vida praticamente sem mulheres, família, com pouquíssimas emoções vivida pelo "pobre" pintor. Apesar de contar com um marasmo do dia dia, Michel Houellebecq ( autor do livro) nos apresenta uma leitura muito prazeirosa, com surpresas; sua aparição, deixando uma dúvida se o Jed faz parte de Houellebecq, ou se é o oposto. Algumas frases são verdadeiros poema, outros uma linda poesia.
Alguns detalhes atuais, por exemplo os tipos de lentes usadas, ou softwares, podem dificultar a leitores não familiarizados, porém, com o passar das páginas este detalhe se torna irrelevante. Em certos trechos do livro é necessário uma atenção redobrada tamanha dificuldade das palavras, embora, da mesma maneira que a parte técnica, não há necessidade de um dicionário ao lado.
A morte está sempre rondando as páginas, perturbando o leitor. Acredito que Hoeullebecq usa deste artifício no intuito de provocar a sociedade que não aceita como solução a certos indivíduos.
Sunday, February 22, 2015
Friday, February 6, 2015
JUDAS
Do renomado romancista Amós Oz, Judas vem para criar uma nova visão do assassinato de Cristo pelos romanos.
Uma visão diferente do suposto traidor - Judas Iscariotes- o qual é visto pelo protagonista deste romance, Shmuel Asch, um admirador sem precedentes de seu mestre Jesus.
Shmuel abandona a faculdade em Haifa por problemas financeiros de sua família, e acaba indo parar numa casa de um velho aleijado em Jerusalém. Lá ele presta serviços ao manco em troca de casa, comida e alguns trocados. Debaixo do mesmo teto mora a ex nora do velho - Guershon Wald- Atalia, uma bela israelense nos seus quarenta anos.
Juntos, vivem alguns meses de ternura, discussões e paciência, num cenário mórbido em torno do falecido e polêmico dono da casa.
Shmuel, um rapaz jovem, que foi impedido de ir ao exército por ter uma doença congênita, atrai a atenção do sogro e nora pelo seu jeito sincero de ver o mundo e, por sua intrigante pesquisa: saber exatamente o que aconteceu nos dias que antecederam a crucificação de Cristo.
Ao fundo existe uma Jerusalém gelada pelo inverno. Um país recém nascido, beirando os doze anos, ainda formando grandes dúvidas sobre sua futura existência e também a necessidade de se ter uma nação judaica no oriente médio cercada por inimigos.
Oz consegue, com seu jeito fácil de escrever, atrair o leitor amante de uma boa estória de amor, como, um interessado por história e suas polêmicas distorções. Nada é por acaso neste belo discurso sobre a humanidade que o autor nos revela. Sempre muito ponderado, Amós Oz consegue passar para nosso interior dúvidas nunca questionadas.
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